1
Seu apelido costumava ser JJ. Ele joga vários apetrechos dentro da mochila. Põe a mochila nas costas e sai de casa. Mas sai sem previsão de volta. Estava prestes a conhecer o mundo. Ele abandona a amada mãe em casa pra ver se o mundo era tão legal quanto diziam por aí. Sai de casa decidido a rodar pelos quatro cantos. Amava sua mãe, mas tinha um sonho a seguir.
Até esse dia, o rapaz nunca havia experimentados os detalhes errados da vida. Não sabia como era o gosto da vodka, nunca havia experimentado um cigarro. Nunca vira drogas antes. Não fazia idéia de como era o sexo.
E ele roda o mundo com a mochila nas costas. Experimenta a vodka, e descobre que é fantástica quando misturada com bebidas de laranja ou limão. Fuma vários cigarros até descobrir que os mais caros são os melhores. Fumar parecia um hábito que consumia todos seus fundos monetários.
2
As drogas não faziam muito sentido. Algumas o aceleravam, outras o apagavam.
Pela primeira vez, JJ pode sentir como é a sensação de prazer do ato sexual. O tal estranho comportamento do cérebro durante tudo aquilo. Como um animal selvagem faminto que ingere uma considerável quantidade de comida. Saciado.
3
Mas experimentar o sexo não foi como experimentar as drogas, os outros vicios. O problema grande é que ele acabava de se apaixonar pela garota com quem fizera sexo. E o problema maior que o grande é que ela não se importava muito com ele.
4
O jovem muda seus planos. Desiste de viajar os quatro cantos para viver para sempre com a sua amada, com quem acabara de fazer sexo por uma primeira e única vez.
Por mais que tivesse bebido, fumado e usado suas drogas. Podia parecer um viciado, mas se tivesse que parar, pararia. Pararia com a bebida, com o cigarro e com as drogas. Mas o sexo, não. Não era viciado no sexo. Era viciado na garota. E o problema maior do que o maior é que a garota não era viciada no rapaz. Era viciada em sexo.
5
O nome dela costumava ser Flávia. Sexo era uma prática comum pelos ultimos dois ou três anos.
Fosse com um namorado apaixonado, ou com um cara que acabara de conhecer, ou com mais de uma pessoa de uma vez. Fosse com homens ou com garotas. Um dia ela conheceu um cara que nunca havia experimentado. JJ. Ela considerou o desempenho de JJ bom para uma primeira vez.
Mas misteriosamente ela cansou de sexo todo dia. E simplesmente parou. Não interessa se ela tinha um motivo ou não, o que interessa é que ela não se interessava mais.
6
JJ, compreensivo, continuou junto da garota que acabara de foder com seus sonhos de conhecer o mundo. Mas ele não ligava. O que custa? Vai ser bom passar o resto da vida com a mulher que eu (acho que) amo.
- Eu não tenho culpa se você não teve muita chance de experimentar. Você agora é só meu. - Flávia dizia a JJ.
- Eu não ligo de não experimentar com outras pessoas, desde que eu tenha você. - Respondia JJ prontamente.
7
Flávia passou um ano com JJ, sem sexo. Ela não se interessava mais. Mas JJ continuava com ela. A amava mais do que tudo na vida. Ele sabia que um dia as coisas encontrariam seu lugar.
Um belo dia, JJ resolveu visitar sua mãe, que ele não via fazia mais de ano.
Se despediu de Flávia, dizendo que na proxima semana já estaria de volta. Deram o beijo de despedida, disseram que se amavam e cada um foi pra um canto. Mas a viagem dele não saiu bem como o esperado.
O onibus que ele pegou acabou capotando em trecho sinuoso da estrada, matando vinte e poucos passageiros. Não é nem preciso dizer que ele estava nesse meio.
8
O enterro de JJ... que enterro? Quando ele morreu, sua mãe achava que havia sido abandonada pra sempre, como se JJ não se importasse mais com ela. Ela só disse "Esse imbecil não é mais meu filho" e não se importou com a morte dele.
Flávia não atendeu aos telefonemas do IML.
Morreu sozinho e não teve um funeral digno.
9
Flávia, - um ano sem sexo - alguns minutos após a morte de JJ estava fazendo sexo com algum outro babaca. Depois de tanto sexo com pessoas aleatórias, ela matou o JJ sem sexo. Pelo menos ele experimentou. Se é que esse deveria ser o pensamento. Se é que isso serve como consolo.
Ela fodeu o sonho do JJ de conhecer a bebida, o cigarro e as drogas por aí. Fodeu o sonho dele de conhecer o sexo. E fodeu o sonho dele de ser feliz pra sempre ao lado dela.
Dizem por trás de grande homem sempre tem uma grande mulher.
Mas por trás de uma grande mulher sempre tem um grande babaca.
sábado, 5 de julho de 2008
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2 comentários:
Muito foda.
Acho que no final todo mundo tem um pouco de JJ, e a vida se parece com a dele.
Muito foda ^^
Meu lado idiota palhaço diria: Que mulher idiota, fudeu o garoto sem nem fuder direito. u-u"
Mas é por isso que a gente nunca entrega a vida inteira pra ninguém, a nao ser que seja recíproco.
É raro, MUITO raro alguem que preste de verdade e te de o devido valor.
Na verdade é engraçado como a gente idealiza as pessoas mesmo antes de conhece-las. A garota sempre foi a garota, e o JJ um idealizador.
Por mais que a gente goste de alguem, é preciso um toque de racionalidade as vezes. E saber dizer não a sí agora, mesmo que doa um bucado, é melhor do que simplismente nao ter o que falar ou fazer por você depois. =.="
O pior é que são quase sempre os mesmo erros, e todo mundo se identifica com eles. xD
E a carapuça serve no tamanho exato!
Mesmos erros, mesmos tipos de pessoas, mesmas dores, mesmo cotidiano, idéias e objetivos. Ê vida sem criatividade! xD
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