sábado, 5 de julho de 2008

Um grande babaca

1
Seu apelido costumava ser JJ. Ele joga vários apetrechos dentro da mochila. Põe a mochila nas costas e sai de casa. Mas sai sem previsão de volta. Estava prestes a conhecer o mundo. Ele abandona a amada mãe em casa pra ver se o mundo era tão legal quanto diziam por aí. Sai de casa decidido a rodar pelos quatro cantos. Amava sua mãe, mas tinha um sonho a seguir.
Até esse dia, o rapaz nunca havia experimentados os detalhes errados da vida. Não sabia como era o gosto da vodka, nunca havia experimentado um cigarro. Nunca vira drogas antes. Não fazia idéia de como era o sexo.
E ele roda o mundo com a mochila nas costas. Experimenta a vodka, e descobre que é fantástica quando misturada com bebidas de laranja ou limão. Fuma vários cigarros até descobrir que os mais caros são os melhores. Fumar parecia um hábito que consumia todos seus fundos monetários.

2
As drogas não faziam muito sentido. Algumas o aceleravam, outras o apagavam.
Pela primeira vez, JJ pode sentir como é a sensação de prazer do ato sexual. O tal estranho comportamento do cérebro durante tudo aquilo. Como um animal selvagem faminto que ingere uma considerável quantidade de comida. Saciado.

3
Mas experimentar o sexo não foi como experimentar as drogas, os outros vicios. O problema grande é que ele acabava de se apaixonar pela garota com quem fizera sexo. E o problema maior que o grande é que ela não se importava muito com ele.

4
O jovem muda seus planos. Desiste de viajar os quatro cantos para viver para sempre com a sua amada, com quem acabara de fazer sexo por uma primeira e única vez.
Por mais que tivesse bebido, fumado e usado suas drogas. Podia parecer um viciado, mas se tivesse que parar, pararia. Pararia com a bebida, com o cigarro e com as drogas. Mas o sexo, não. Não era viciado no sexo. Era viciado na garota. E o problema maior do que o maior é que a garota não era viciada no rapaz. Era viciada em sexo.

5
O nome dela costumava ser Flávia. Sexo era uma prática comum pelos ultimos dois ou três anos.
Fosse com um namorado apaixonado, ou com um cara que acabara de conhecer, ou com mais de uma pessoa de uma vez. Fosse com homens ou com garotas. Um dia ela conheceu um cara que nunca havia experimentado. JJ. Ela considerou o desempenho de JJ bom para uma primeira vez.
Mas misteriosamente ela cansou de sexo todo dia. E simplesmente parou. Não interessa se ela tinha um motivo ou não, o que interessa é que ela não se interessava mais.

6
JJ, compreensivo, continuou junto da garota que acabara de foder com seus sonhos de conhecer o mundo. Mas ele não ligava. O que custa? Vai ser bom passar o resto da vida com a mulher que eu (acho que) amo.
- Eu não tenho culpa se você não teve muita chance de experimentar. Você agora é só meu. - Flávia dizia a JJ.
- Eu não ligo de não experimentar com outras pessoas, desde que eu tenha você. - Respondia JJ prontamente.

7
Flávia passou um ano com JJ, sem sexo. Ela não se interessava mais. Mas JJ continuava com ela. A amava mais do que tudo na vida. Ele sabia que um dia as coisas encontrariam seu lugar.
Um belo dia, JJ resolveu visitar sua mãe, que ele não via fazia mais de ano.
Se despediu de Flávia, dizendo que na proxima semana já estaria de volta. Deram o beijo de despedida, disseram que se amavam e cada um foi pra um canto. Mas a viagem dele não saiu bem como o esperado.
O onibus que ele pegou acabou capotando em trecho sinuoso da estrada, matando vinte e poucos passageiros. Não é nem preciso dizer que ele estava nesse meio.

8
O enterro de JJ... que enterro? Quando ele morreu, sua mãe achava que havia sido abandonada pra sempre, como se JJ não se importasse mais com ela. Ela só disse "Esse imbecil não é mais meu filho" e não se importou com a morte dele.
Flávia não atendeu aos telefonemas do IML.
Morreu sozinho e não teve um funeral digno.

9
Flávia, - um ano sem sexo - alguns minutos após a morte de JJ estava fazendo sexo com algum outro babaca. Depois de tanto sexo com pessoas aleatórias, ela matou o JJ sem sexo. Pelo menos ele experimentou. Se é que esse deveria ser o pensamento. Se é que isso serve como consolo.
Ela fodeu o sonho do JJ de conhecer a bebida, o cigarro e as drogas por aí. Fodeu o sonho dele de conhecer o sexo. E fodeu o sonho dele de ser feliz pra sempre ao lado dela.
Dizem por trás de grande homem sempre tem uma grande mulher.
Mas por trás de uma grande mulher sempre tem um grande babaca.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Amanhã se repete o inevitável errado

Ele bate a porta de casa e sai. Ela chora. Estava confusa. Os momentos ruins pareciam não terminar. Vai até o espelho do banheiro só pra conferir o tamanho do hematoma no seu rosto. Um rosto azul, preto e roxo. E um olho bem mais roxo. A Justificativa para aquele olho roxo era simples: seu marido perdera o controle. Paciência tem limite, e junto com ela se fora o auto-controle.
Horas mais tarde ele volta. Ri, olhando-a com seus olhos psicóticos. Ele distribui tapas, socos e chutes. Distribui um novo olho roxo. E ela chora até conseguir dormir. Era assim todas as noites. No dia seguinte, sempre a mesma história. Ela vai até o espelho do banheiro só pra conferir se seu rosto ainda era reconhecível por trás das marcas da surra. Mas não era reconhecível nem para ela mesma. E como uma criança ela tenta se esconder equanto ele tenta justificar o que não é verdade.
Enquanto ele desaparece, ela senta ao lado do telefone esperando por uma ligação. Só uma satisfação. Mas ele não ligava nunca.
Várias cervejas mais tarde, ele volta pra casa sem dizer por que desapareceu. Ela questiona suas mentiras e ele vai pra cama sem uma resposta. Ele dizia: "Desculpa. Amanhã será uma nova história."
Claro que amanhã seria uma nova história. Ele justificaria o olho roxo da mulher com uma outra nova desculpa.
Ela faz as malas e pretende ir embora. Mas ele a pega na porta, a abraça e beija, cheio de "não-sei-porques" enquanto lágrimas descem de seus olhos perfeitos. Enquanto lágrimas descem dos fundos olhos roxos da mulher. Desculpas até o anoitecer, e ela fica.
Amanhã será um novo dia.
Amanhã ela terá um novo olho roxo, com uma nova desculpa.

domingo, 25 de maio de 2008

Gelo

Era uma vez um rapaz com uma maldição. Tudo que ele tocava, congelava. Se tocasse uma árvore, logo ela morria. Surgia uma grossa camada de gelo em volta da árvore, que ia até os menores e mais finos galhos lá do alto. O rapaz ja havia transformado vários de seus amigos em estátuas de gelo, e assim desistiu de levar uma vida. Passou a vagar pelo mundo, feito um andarilho, conhecendo lugares novos e não conhecendo pessoas.

Mas um dia, ele passava por uma rua quando avistou fumaça saindo pelas janelas de uma casa. Ele correu até a porta da casa, onde havia um grande tumulto de pessoas curiosas. E alem dos curiosos, estavam os moradores da casa - pai, mãe e filha - com lágrimas nos olhos enquanto assistiam a triste consumação da casa pelas chamas. O rapaz correu pra dentro da casa e no meio da sala, colocou sua mão no chão. O chão em volta de sua mão logo cristalizou, e o gelo foi se espalhando pela casa. Se espalhou pela sala , e por alguns móveis dela. Chegou até a cozinha onde o incendio começara, e logo se espalhou até chegar no fogão que originou o fogo, e nas cortinas que o ajudaram a queimar o resto da cozinha. Embora houvesse gelo por toda a casa, perdeu-se menos do que se ela houvesse sido completamente queimada.

A garota ainda tinha lágrimas nos olhos, mas agora era feliz por ter tido sua casa salva. A mãe dela correu pra abraçar o rapaz que salvara a casa, mas ele se esquivou pra evitar tocar a mulher, e deu as costas, indo embora. A garota correu atrás do jovem.

- Espera! - Disse a garota.

O rapaz olhou para a garota, mas não disse nada. Ela continuou:

- Pelo menos me diz seu nome.

- Gelo. - Disse o rapaz depois de um breve silencio.

Ele se virou e foi embora. A mãe e a filha estavam felizes. Mas o pai não. Preferia ter perdido a casa em chamas do que tê-la salva por um monstro que congelava as coisas.

Algumas semanas depois, o rapaz que se dizia chamar Gelo contemplava a beleza de um lago que ficara pouco distante da sua cidade. Ele vê um rosto familiar que se aproxima. Era a garota da casa do incêndio, que ja estava seguindo o rapaz havia dias.

- Como me encontrou aqui?

- Tenho te vigiado. Eu sei que você vem sempre aqui no lago.

- Pra quê?

- Eu só queria te agradecer pelo que fez por mim.

- De nada - diz Gelo. Ele vira as costas e começa a andar.

- Espera!

Ele olha pra trás.

- Pode congelar o lago?

Ele toca a água. Rapidamente, uma espessa camada de gelo se espalha e cobre toda a superfície das águas do lago. A garota que já esperava por isso, tira de sua mochila um par de patins. Patins de gelo. Ela os veste e patina no lago congelado.

Gelo sentiu felicidade depois de muito tempo. Havia feito a garota feliz. Duas vezes. Ele vai para o lago e brinca com a garota, mesmo sem patins. Mas quando ela ameaça a chegar perto dele, ele esquiva dela e sai de perto.

- Eu não mordo. - Diz a garota.

- Mas eu sim. Digo, não mordo. Mas congelo. Você se tornaria uma estátua de gelo, como todos os outros.

- Eu morreria feliz. Melhor do que viver minha vida. Congelaria a mim, mas não a meu coração. Ele sempre será quente. E nesse momento, está apaixonado por você.

Aquilo foi recebido feito uma pancada. Para quê Gelo se envolveria com uma garota? Para transformá-la numa estátua de gelo? Ele saiu do lago e desapareceu. A garota, triste, voltou para a casa.

O problema no fato da garota ter seguido o Gelo, é que o pai da garota seguiu a garota. E agora o pai tinha certeza de que o jovem era um demônio. Alem de congelar a casa, havia congelado todo o lago.

Alguns dias depois, a garota corre até o lago e econtra o jovem Gelo parado por perto. Ele vê a garota, mas não fala nada.

- Olha, você tem que fugir.

- Como?

- Meu pai pagou uns caras mal-encarados para que te matassem.

- Eu sabia que isso ia acontecer. Onde eu tava com a cabeça quando congelei o lago pra você?

Ele tenta ir embora andando, mas era tarde. Quatro sujeitos armados vinham na direção dele.
Ele vira e tenta fugir por cima do lago congelado. A garota corre atrás dele. Mas no meio do lago, Gelo escorrega e cai. Mais quatro mal-elementos chegavam pelo lado de trás do lago, eliminando as chances de fuga do rapaz.

Alguns deles preparam suas armas de fogo, e dispararam na direção do rapaz. A garota
se joga no chão para não ser atingida pelos disparos. Gelo permanece imóvel. Alguns tiros o acertam. Era melhor assim. Um alívio. Sair daquela vida amaldiçoada dos toques de gelo. Mas a garota se levanta. Desistira de ficar no chão, e se coloca na frente do rapaz. Ela não ia deixar que o matassem. Os mal-elementos se aproximam, pegam a garota e disparam mais três vezes no rapaz. Ele se ajoelha no chão.

- Não! Por favor! Me larguem! Deixem ele! - gritava desesperadamente a garota.

Mas eles não largavam.

- Quanto a cabeça dessa garota deve valer? - pergunta um deles.

- Muito. - responde um dos outros.

- O pai dela é rico. Ele pagou uma nota pra matar esse cara aí. Agora a gente sequestra ela e a
grana pelo resgate vai ser a grana mais facil da nossa vida.

Aquele diálogo mexeu com o Gelo, que jé era um semi-morto. Ele que estava de joelhos, se levanta, puto. Dois caras o atacam pelos lados. Ele rapidamente coloca suas mãos nos pescoços dos dois, e eles logo se tornam estatuas de gelo. Gelo as arremessa em cima dos outros que não estavam perto da garota, e todos morrem esmagados. De longe, o pai da garota que observava o sucesso de seus capangas, tambem viu que eles ameaçaram sua filha, e agora não sabia para qual dos dois lados torcer. Estava desesperado.

Só haviam mais três caras perto da garota. Eles abrem fogo na direção de Gelo. Ele é baleado várias vezes até que a munição das armas dos três acabasse. Ele anda cambaleando na direção da garota. Cai várias vezes devido ao escorregadio gelo sob seus pés. O gelo sob os pés do Gelo.
Os três sujeitos partem para a agressão física. A garota gritava e chorava, desesperada devido à violencia com seu novo amado. Mas Gelo era bom de briga. Com um soco em cada, ele os transforma em estátuas de gelo, sem volta, pra sempre.

Bem devagar, ele chega perto da garota. Continua de pé. Ela chega ainda mais perto dele.

- Por favor, não. Você morreria. - Diz Gelo.

- Eu não me importo.

Era o momento do pause. Tudo parado. A vida se resumia naquele momento, onde nada mais existia. Um momento onde o universo consiste apenas de dois apaixonados prestes a trocar um beijo. As lagrimas descem pelas bochechas do rapaz. Bem devagar, os lábios da garota tocam os lábios do jovem. Lentamente, o rosto da garota foi ganhando um aspecto pálido. Foi empalidecendo vagarosamente até ficar tão pálido quanto o rosto de um morto. Os lábios se separam.

A garota junta todas suas forças nas suas ultimas palavras:

- Eu.... não.... me tornei uma... estátua...

A maior prova de que Gelo amava de verdade a garota, era que ela não havia se tornado uma estátua. Se ele estivesse completamente consciente, provavelmente teria chances de controlar sua maldição, e não congelar a garota depois do beijo. Mas ele estava morrendo.

Ela não se tornou estátua, mas o frio foi suficiente para matá-la em um congelamento súbito.
Os dois caem no chão gelado que cobria o lago, e ele cede. Quebra, e os dois caem no lago que ainda é água em baixo da crosta de gelo. Logo que eles caem, a superfície do lago que havia quebrado se congela novamente. Os corpos dos dois ficaram embaixo da espessa camada de gelo que cobria a superfície da água.

O lago permaneceu congelado, eternamente.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Ao Encontro Do Pai

João caminha pela rua, olhando pra frente e procurando pelo endereço que lhe fora passado por um amigo. Uma grande festa, com muitas mulheres bonitas e pessoas bêbadas caindo pelos cantos. Ele avista um tumulto de pessoas do lado de fora de uma casa que parecia estar com todas suas luzes acesas. Entao não havia confusão. Lá era o lugar.
Os carros de todos os convidados estavam parados por ali. João vê um cara com duas garrafas de bebida nas mãos, que vai até seus amigos perguntar se eles preferiam 8 ou 12 anos. Ele passa pelas pessoas, ouvindo-as responder 12, lógico. Quando olha pra trás, vê o homem guardando em seu carro a garrafa de rotulo vermelho e levando até os amigos a garrafa de rótulo preto.
Um homem vem andando na direção de João, como se estivesse saindo da festa. Mas a festa acabara de começar, então era de se deduzir que essa pessoa havia desistido de entrar na festa. O homem era magro, tinha longos cabelos pretos e uma barba por fazer, que julgando pela aparencia ja estava la a aproximadamente uma semana.
- Eu acho que te conheço - diz o homem cabeludo ao passar por João.
- Você tambem não me é estranho - responde João, virando na direção do homem. - A festa não tá boa?
- Vi coisas que não acredito que vi. - diz o homem um pouco decepcionado.
- Tipo? - pergunta João como se fosse amigo do sujeito cabeludo.
- Vi gente drogada caindo sem aguentar seu próprio peso e vi garotas faceis fazendo sexo por fazer. Não entendo o motivo disso. Só por que eles gostam daquilo, não quer dizer que tenham que fazer. Ou pior, não quer dizer que eles tenham que incentivar outras pessoas a fazer.
- Bom, eu não uso drogas nem faço sexo por fazer. Mas o assunto deles não é da minha conta. Se quiserem morrer de overdose por se drogar excessivamente, ou se quiserem esquecer como se ama alguem por fazer sexo sem compromisso, eu não ligo. Uma coisa que eu tenho em mente é que eu devo preocupar comigo mesmo primeiro.
- Uma coisa que eu tenho em mente, é que meu pai me ensinou a me preocupar com o próximo.
- Você se preocupa a toa. Nada vai os fazer mudarem. Talvez um dia, pouco antes de morrerem, eles se arrependam das besteiras que fazem agora.
- Vi outra coisa que me doeu muito. Vi minha namorada cumprimentar alguns amigos com um beijo. nos labios. o vulgo selinho. não é sexual, mas não é atitude de uma garota com compromisso.
-Bom, ja vi coisas que me doeram muito tambem. isso não é atitude de garotas comprometidas.... mas é só conversar com ela e pronto, acabou o problema.
- Foi o que eu tentei. Mas ela disse que não tava nem aí e que os amigos dela eram importantes. Eu continuei tentando mas ela nao deu ouvidos. E se trancou em um quarto com mais dois homens e outra garota. Infelizmente ela estava bêbada e drogada.
- É, você deveria ser a prioridade dela. Lamento muito. Bom, vou me apressar para a festa. - Diz João indo embora na direção da festa.
- E eu vou me apressar pra me encontrar com meu pai. - Diz o homem barbudo indo embora na direção contrária.
- Seu pai? - pergunta João, parando de andar de novo.
- Sim. Você quer vir?
- ir com você? até seu pai? - pergunta João ao homem. - Eu teria que avisar pra minha namorada, que tá me esperando na festa.
- Não, não só hoje. você ficaria longe por muito tempo.
- Nesse caso tenho que avisar toda minha familia.
- eu sei que você não é religioso, mas jesus cristo, quando recrutava os apóstolos, pedia pra que eles largassem tudo e fossem com ele.
Sem responder nada, segue o homem até o carro dele. O homem dos cabelos compridos senta no banco do motorista e liga o carro. João entra no carro e senta no banco do carona. O carro parte, saindo da cidade e pegando a rodovia. Pelo lado esquerdo da estrada. A contra-mão. E se choca com o primeiro caminhão que veio em sua direção.
Algumas horas depois, João foi encontrado morto, no banco do motorista. E João tinha cabelos longos e barba por fazer.
Talvez alucinação, talvez esquizofrenia. Mas eles eram a mesma pessoa.

terça-feira, 18 de março de 2008

Os nerds e as garotas

Era uma vez um nerd do tipo matemático, mas que não tinha cara de nerd apesar do seu cabelo por cortar e a barba por fazer. Ele era apaixonado por uma garota de baixa auto-estima, que sempre usava calças largas e raramente uma saia 3 dedos acima do joelho. Ela tinha uma amiga de alta auto-estima, que vestia calças justas e às vezes uma saia 3 dedos abaixo da beirada da calcinha. E essa, por sua vez, tinha um caso com um nerd do tipo não-matemático, de cabelo curto e barba feita.
A garota de baixa-auto estima, que gostava do jeito lerdo do nerd matemático, apaixonou por ele tambem e tiveram assim um caso de não-compromisso. Caso de não-compromisso que aliás era igual o caso da garota de alta auto-estima com o nerd não-matemático.
Mas essa garota de alta auto-estima achava que pelo fato de não ter compromisso, podia ter alguns outros homens sem que o pobre nerd não-matemático ficasse sabendo. E essa era uma idéia que o nerd-matemático repugnava, mas não podia contar a verdade ao nerd-não matemático porque a garota de baixa auto-estima não o permitia.
O tempo passou, e o sentimento de culpa veio à garota de alta auto-estima. Então ela decidiu abandonar o nerd não-matemático, e seguir sua vida. E enquanto esse tempo passou, o nerd matemático queria ter um caso de compromisso com a garota com quem ele tinha um caso de não-compromisso.
Mas a garota de baixa auto-estima não queria ter um caso de compromisso, embora quisesse estar ainda junto com ele. E ele se perguntava o motivo. Eles se viam todos os dias. Era praticamente um namoro. Será que ela simplesmente não podia gritar ao mundo que estava apaixonada? Não se sabia o motivo. E ele entristeceu.
E assim os dois nerds foram aos prantos.
Mas as garotas tinham varios medos e receios para poder namorar. Um dos medos da garota de baixa auto-estima era o medo público. Se alguem soubesse que ela estava namorando, contaria pra três pessoas, que contariam pra mais três, que contariam pra mais três, que contariam pra mais três. E cada pessoa que recebesse a noticia, passaria adiante para mais três, em um ciclo infinito que geraria o holocausto mundial.
Um dos medos da garota de alta auto-estima era descobrir que estava enganada quanto ao fato de gostar ou não da pessoa com quem ela tinha um caso.
E um dos medos compartilhados pelas duas garotas, era o efeito desaprovação causada pela frase "Putz, você namora um nerd?"
O tempo com o tempo se foi, e os quatro morreram. A garota de alta auto-estima, morreu de solidão por nunca ter se permitido amar alguem. Perdeu todas as boas oportunidades que teve na vida.
O nerd não-matemático morreu de raiva, por ter sido descartado feito uma carta de baralho não conveniente para uma mão em um jogo de poker.
A garota de baixa estima morreu de arrependimento, por ter notado que nunca mais amaria alguem como amou o nerd matemático.
E o nerd matemático... ah, o nerd matemático. Esse morreu de tristeza. Por não ter quem ama. E por ver que a garota que ele amava nunca notava que o tempo passava e a chance de ficar com ele se perdia. Tristeza por ver que ela deixou todas as oportunidades se perderem.
Tristeza tambem, por ver que a garota de baixa auto-estima defendeu a garota de alta auto-estima quando ela preferiu ter varios homens ao invés de namorar o nerd não-matemático.
Ah, sim, tristeza tambem pelo fato da garota de baixa auto-estima ser tão amiga do nerd não-matemático.
Ora, onde ja se viu existir um nerd não matemático em um mundo onde só a matemática salva?

sábado, 15 de março de 2008

This is where it begins

Esse é só um blog para escrever meus contos, e talvez as musicas. Organizar um pouco as idéias, e quem sabe aproveitá-las no futuro.
Tambem vai ajudar na proliferação dessas idéias pela minha cabeça, já que enquanto eu vou escrevendo, eu não paro.
Tomara que a inspiração permaneça, e que a disposição sempre possa surgir na falta da inspiração.